No meu imaginário foi assim...
baldie @ 23:06
Parece que tens vergonha de mim, de me olhar nos olhos... ou serei eu?
Chegaste e doía-te a barriga: fiteiro! Ainda assim queria muito poder ajudar-te. Não pude, não fui capaz...
Entraste no carro no lugar de trás com uma estranha. Tiveste desde logo mais à vontade com ela (fizeste-me pensar em possibilidades desagradáveis).
Quis ver as letras cravadas na pele da estranha que, curiosamente, diziam na língua morta: "tão longe, mas tão perto".
Olháva-mos, mas as nossas cabeças estavam tão perto, que poderia ter ouvido os teus pensamentos... não ouvi.
Já na mesa, entretanho-me a pensar que alguns olhares eram quase inocentes, que eram uma necessidade.
Gosto de pensar que sorris de forma especial e que só agora o fazes. Gosto quando sorris.
Gostei quando me tocaste com intenção. As tuas mãos nos meus ombros. A tua Voz: nem reparei que íamos em direcção ao céu.
Descemos e tu conduziste: houve um olhar que hei-de lembrar-me. Querias assustar-me e olhaste-me provocador esperando uma qualquer reacção.
A estranha diz: "Gostas de mulheres como ela". Não respondeste. Fico sem saber o que pensar, nem sim, nem não. Instala-se um silêncio ensurdecedor.
O carro pára. Dizes que levas o carro até à última estação, se eu voltar contigo: tens medo de voltar sozinho, dizes! Digo-te que não. Parva. Se respondesse sim, agora as coisas seriam diferentes?
Últimos olhares antes de saíres para a rua. Desejei poder voltar atrás e roubar-te um beijo leve!
A estranha pergunta-me se gosto de ti. Minto.
Pergunta se gostas de mim. Não sei, gostava de saber. Disse-lhe que não gostavas.
Hoje não vieste e eu não te vi. A fruta do pecado deixou-te cansado, será?
Queria ter-te visto. Dorme bem.
[Escrito a 17 de Setembro de 2008]
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