CRÓNICA A UM OBTURADOR
Recordo-me ainda da primeira vez que me disseram que um cateter estaria obturado. Senti-me destroçada, que nome tão complexo: o Obturador deve ser, com certeza, algo horrível, complicado e de difícil compreensão. Mentes mais iluminadas com certeza compreenderão a razão do meu pasmo e deslumbramento quando finalmente o fitei. Ali estava ele…
Óbvio que um Obturador, também conhecido por muitos como “o Bionecter” possui dois grandes objectivos: manter a permeabilidade do catéter (evitar a acumulação de fibrina no seu interior) e reduzir o risco de infecção (a cada administração de fármacos)... Digamos que este pequeno, mas não menos importante, instrumento de trabalho exige, evidentemente, e como seria de esperar cuidados: pesquisar sinais inflamatórios no local de inserção do cateter ou no trajecto da veia (e deixar esses aspectos descritos em notas de acordo com a não menos complexa nomenclatura CIPE, também para sua própria segurança e credibilidade!).
O obturador não vem, nesciamente, com livro de instruções (talvez aumente exponencialmente os custos de produção que apenas por acaso desconheço), suponho que os fabricantes pensem: “Toda a gente sabe que existe, o que é e como funciona”, logo quem sabe que explique aos outros! Serão claramente grandes visionários da sociedade contemporânea, tendo em conta o período de crise. Esquecem-se, ou não valorizam (onde está a diferença?) os desventurados estudantes de enfermagem que encaram o Obturador, e agora atente-se, como o seu cavalo de batalha no Texas. Não obstante a esta realidade duríssima, os Obturadores são ainda mote de dissertações, reflexões e associados, para que seja, finalmente, compreendida a sua função nas enfermarias. Uma vez entendida esta grande função, o estudante de enfermagem sente-se satisfeito porque tem, decerto, um meio da nota dos irrepreensíveis!

Do Melhor
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