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Arquivo: Outubro 2008

E agora a chuva chegou outra vez...

baldie 25/10/2008 @ 16:46

Tantos meses, tantas horas que gastei a pensar em ti, porque te amo tanto... A pensar como seria voltar a ver-te, o que iria dizer-te, a pensar se te iria abraçar.
A coragem veio e eu telefonei-te. Estava controladamente descontrolada, a voz soou fria e dura. Falaste pouco e eu também... a voz começou a tremer. Quando desliguei, não chovia lá fora... mas a minha cara estava molhada e continuou molhada.
Combinamos jantar no dia a seguir. Fizeste de conta que nunca houve um buraco nas nossas vidas e isso não é justo para comigo.
Não preciso que fales, precisava apenas que me tivesses ouvido, mas não quiseste.
Este reencontro tinha de ser tratado como uma ferida: primeiro tinhamos de ter desbridado o tecido necrosado para promover uma boa cicatrização.
Mas tu não deixaste e eu sinto que pouco mudou..
Ages como se soubesses a razão que nos afasta, que nos faz estar separados, como se não houvesse nada a fazer por nós... simplesmente porque a culpa ou é da estação do ano ou duma mudança semelhante, com qual não vamos poder interferir.
Sinto-me hipócrita...

Quero dizer-te...

baldie 19/10/2008 @ 09:30

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Acordei decidida a dizer-te, iria finalmente libertar-me deste fardo... depois disso o que acontecesse já não dependia de mim.

Queria dizer-te que gosto de ti, muito, apesar de ainda não ter percebido como foi isto acontecer, como foi isto escapar ao meu controlo, como foi isto acontecer quando eu sou uma pessoa tão racional.

Queria dizer-te que não espero nada de ti, que não é por isso que te conto, que estou a contar-te porque já não aguento esta agonia de que podes descobrir a qualquer momento por alguém que não eu. Conto-te porque não quero ser "vítima" da chamada "panelinha" dos amigos bem intencionados...

Conto-te porque não devo, nem quero passar o meu tempo a analisar tudo o que faço com medo que percebas algum sentimento, que não amizade, da minha parte, porque não quero analisar até ao átomo cada gesto teu, como se de uma esperança vã se tratasse.

Não quero ter esperança, faz-me mal, desconcentra-me, desorienta-me!
Quero que me trates da mesma forma, como amiga, não quero que te afastes. Vou conseguir superar, vais ver! Agora que isto já não é um mistério, já não é um segredo que implode cada vez que te vejo, vai ser muito mais fácil.

Mas não disse nada... apareceu quem não devia. E eu perdi a coragem que me tinha tomado de assalto de manhã.
E agora mais dias e mais horas e minutos a pensar e repensar no que fazer. Bolas, tens de colaborar.

Meses de vida...

baldie 15/10/2008 @ 18:46

Imaginem pedirem-vos que se imaginem a receber a notícia de que apenas têm três meses de vida e que escrevam o que sentem...
É horroroso só de imaginar...

MESES DE VIDA
Médico. Leucemia. As últimas palavras que oiço sem sentir todo o peso do mundo a afastar-me da realidade. O chão abandona-me, sinto-me a cair no vazio, não encontro nada a que me agarrar. Desabito-me do meu próprio corpo, sensação de estranheza!

Saio dali ainda a cambalear, quero, desesperadamente, estar sozinha, pensar o que fazer com o tempo que resta. Como me despedir das pessoas que me fazem amar tanto a vida? Como sequer contar-lhes? As palavras fogem e a garganta seca teimosamente.

Nunca fui boa com palavras, sempre precisei da caneta e do papel. Sim é isso, penso. O melhor é escrever-lhes. Quero que saibam exactamente aquilo que sinto neste momento.

MÃE E MANA
Mãe e mana são as pessoas mais importantes do meu mundo. Nunca conseguiria imaginar a minha vida sem vos ter por perto.
Falhei-vos muitas vezes, fui injusta, magoei-vos em determinadas alturas das nossas vidas. Não tive o dom de pedir desculpa. Peço agora, DESCULPA, por todas as vezes que errei.
Nem sempre fui capaz de vos demonstrar o meu amor, mas agora digo, na esperança de colmatar essa falha por todos os anos que viverão, amo-vos acima de tudo.
Obrigado, por estarem na minha vida SEMPRE, até ao fim.
Eu estou bem, se vocês estiverem bem. Não sofram, não chorem, por favor…

PAI
Sabes que não és um pai perfeito, sei agora que também não sou uma filha perfeita.
Não te vou pedir desculpa, a culpa foi de ambos, não soubemos viver um com o outro. Afastamos a coragem, adiamos a conversa de há muito. Mas ainda assim queria estar lá quando mais precisasses de mim, queria dizer-te que podes contar comigo, apesar de tudo. Mas as leis inverteram-se, e agora eu preciso que Tu estejas comigo, que digas que gostas de mim, que sou tua filha. Que já não preciso de chorar mais quando penso em ti, de sofrer mais por nós.
Tenho tanto para te contar, nem sei por onde começar. Teremos o tempo necessário para nos desenganarmos. És o meu pai amado, estou em paz contigo.

AVÓS
Obrigado por tornarem a minha vida tão especial, por me arrancarem o mais sincero dos sorrisos e me abraçarem com a maior espontaneidade possível nos piores momentos, tornando as minhas lágrimas mais quentes. Agradeço-vos terem-me tornado na pessoa mais humana que sou hoje.
Sei que vão sofrer tanto e isso deixa-me mortificada. Por favor reajam, recuperem por mim e principalmente por vós.

TIOS
Tio adoro a pessoa que és, íntegro! És a pessoa com mais força na nossa família, ajuda a mãe, a mana, a tia e os avós. Sei que é pedir-te um enorme esforço, mas nem por um momento duvido de ti. És uma referência.
Tia, minha irmã mais velha, meu ídolo. Tantos momentos partilhados, tantas confidências e, agora, não sei que te dizer. Sinto-me na obrigação de te explicar isto, mas não consigo. Desculpa. Vive livre e intensamente. Vive por nós.

JORGE
Entraste repentinamente nas nossas vidas, foi difícil a adaptação. Agora és um dos nossos. Não minto: senti-me muitas vezes magoada contigo, até decepcionada. Mas a maioria das vezes sinto-me bem contigo, aprecio a tua presença e sinto-me eternamente grata pelo bem que fizeste à minha mãe.

AMIGOS
Tenho duas mãos cheias de amigos, que não deixarei escapar. Uma fatia tão boa da minha vida. Fazem-me bem, tornam a minha tão mais estupenda. Obrigado longo para vós.
Rita: conheces o meu mais antigo e profundo eu. Dê o mundo as voltas que der, vamos sempre acabar no meio das nossas conversas, tão nossas!
Renato: Adoro a tua maneira de falar, fazes-me rir às gargalhadas, que sensação boa!
Verónica: Os nossos momentos no vão da escada, na noite cerrada. As descobertas que ali se vão fazendo e nem percebemos que os anos passam e nós ali continuamos.
Diana e Eliana: Tanto ficará por dizer. Todas tão diferentes, mas tão iguais. Apesar da distância que nos separa, temos estado perto. O pacto de união mantém-se, mas não consigo deixar de me questionar se resistirá, por mais quanto tempo?
Sandra, a coragem; Filipa, a cola super-forte harmoniosa; Ângela, a minha pessoa imutável: mudei-me, só, para um lugar desconhecido. Aí vos encontrei, e o sentimento de pertença e amizade não mais parou de crescer. Obrigado por estarem junto de mim agora, sei que são as pessoas que melhor entendem o que daqui para a frente vai acontecer.

PESSOA ESPECIAL
Não sei bem como, mas fui gostando de ti. Embora não o assuma, quero que fiques na minha vida. O resto perceberás assim que me olhares nos olhos.

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Quando o mau augúrio se torna real.

baldie 11/10/2008 @ 13:04

Insistes em fazer-me mal. Insistes em irritar-me.
Irritas-me por tudo e, contudo, por nada. Nada tenho a ver com a tua vida, porque tenho eu de me sentir assim?
Conheço a verdade: nunca vais mudar, como poderias? Seria utópico pensar que não te encantarias sempre à primeira passagem por uma qualquer Vénus, mesmo que até não saibas que stás a cair num buraco... negro.
Como poderia eu esperar algo de ti? Só se sou realmente muito estúpida.
Já não posso mais, nem ver-te a ti, nem ver a porra das maçãs!
Já nem consigo olhar para a tua cara, não te consigo ver, deve ser dessa quantidade de lã que te tolda o cérebro.
És um homem tão néscio, que fico profundamente irritada por não conseguir quebrar o encantamento. Porque me continuo a sentir nervosa quando te vou ver, quando te vejo, se te odeio? Se me agonias, se me provocas um nó enrolado (muito!) na garganta? Se fazes com que não me consiga ajudar a mim própria?
Preciso de um homem a sério. E, sinceramente, já não me sinto a mulher que te vai tornar num. Pensei que sim, mas ontem cheguei, finalmente, à conclusão que não.
Pensei que o gostar e a paciência chegassem, mas NÃO.

[Escrito a 11 de Outubro de 2008]

Regresso a casa...

baldie 11/10/2008 @ 12:44

untitled.bmpRegresso a casa, mas tu não estás. Fico triste.
Quero ver te, estar contigo, sempre feliz, com um sorriso aparvalhado na cara, não consigo evitar. Imagino-te aí na tua vida, nunca quieto, com companhia. Fico trsite.
Quero que me olhes como te olho. Umas vezes, penso que é possível, já outras... continuo triste.
Um transeunte aparece nos meus pensamentos e diz que não temos nada a ver, que não poderíamo nunca ser um do outro. Oiço-o com um mau augúrio. Será isso que vai acontecer? NADA... é isso que o passar dos minutos, horas e dias, que lá longe vejo passar, nos reserva? Triste.
Será que o que vejo e interpreto está errado? Eu acho que tens medo de mim. Mas porquê, isso de facto não sei. Sei que te quero e sei que tenho paciência. Bastar-te-á?

[Escrito a 4 de Outubro de 2008]

No meu imaginário foi assim...

baldie 04/10/2008 @ 23:06

Parece que tens vergonha de mim, de me olhar nos olhos... ou serei eu?
Chegaste e doía-te a barriga: fiteiro! Ainda assim queria muito poder ajudar-te. Não pude, não fui capaz...
Entraste no carro no lugar de trás com uma estranha. Tiveste desde logo mais à vontade com ela (fizeste-me pensar em possibilidades desagradáveis).
Quis ver as letras cravadas na pele da estranha que, curiosamente, diziam na língua morta: "tão longe, mas tão perto".
Olháva-mos, mas as nossas cabeças estavam tão perto, que poderia ter ouvido os teus pensamentos... não ouvi.
Já na mesa, entretanho-me a pensar que alguns olhares eram quase inocentes, que eram uma necessidade.
Gosto de pensar que sorris de forma especial e que só agora o fazes. Gosto quando sorris.
Gostei quando me tocaste com intenção. As tuas mãos nos meus ombros. A tua Voz: nem reparei que íamos em direcção ao céu.
Descemos e tu conduziste: houve um olhar que hei-de lembrar-me. Querias assustar-me e olhaste-me provocador esperando uma qualquer reacção.
A estranha diz: "Gostas de mulheres como ela". Não respondeste. Fico sem saber o que pensar, nem sim, nem não. Instala-se um silêncio ensurdecedor.
O carro pára. Dizes que levas o carro até à última estação, se eu voltar contigo: tens medo de voltar sozinho, dizes! Digo-te que não. Parva. Se respondesse sim, agora as coisas seriam diferentes?
Últimos olhares antes de saíres para a rua. Desejei poder voltar atrás e roubar-te um beijo leve!

A estranha pergunta-me se gosto de ti. Minto.
Pergunta se gostas de mim. Não sei, gostava de saber. Disse-lhe que não gostavas.
Hoje não vieste e eu não te vi. A fruta do pecado deixou-te cansado, será?

Queria ter-te visto. Dorme bem.

[Escrito a 17 de Setembro de 2008]

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Quando te (re)conheci!

baldie 04/10/2008 @ 16:21

2572896131_893d4d82381.jpg1 - I, +/- 20m, o tempo de acabares o teu chá lipton. Foste embora.
2 - Castelo. A, o tempo de encontrares nova companhia. Seguimos sozinhos, sem ti, para onde não me apetecia. Quando te voltei a ver tinhas nova companhia. Deixei o telefone no carro, no teu.
3 - J: diferente. Combinamos jantar entre todos. A atenção muda. [Será que muda?]
4 - S: curioso! Conduzo em algures. Castelo: sempre com ideias antónimas. Jardim: conversamos sobre ti.

Discordo mil vezes de ti. Mas ainda assim passa-se algo: não gosto de ti.

Mas não consigo deixar de pensar. Por favor não, preciso que nada se passe.

5 - Hoje não saímos: eu não impliquei contigo e tu não implicaste comigo. Queria ter saído, mas não devia querer.

Contei a outrém. Não devia, mas precisava. Não devia precisar. Porra!

[Escrito a 10 de Setembro de 2008]

Karma

baldie 04/10/2008 @ 16:05

arvore_despida.jpgO Karma! Não é algo que amaldiçoe a pessoa, não é algo que lhe aconteça de mau, não é azar. Só pode ser a pessoa em si.
E sendo assim, parece que há que aceitar ser um Karma.
Suponho que um Karma há-de ter direitos:

- O Karma tem o direito de se sentir magoado e não esquecer;
- O Karma tem o direito a ter o seu espaço e intimidade;
- Um Karma reserva-se ainda ao direito de permanecer em silêncio e não piorar o seu "karma", nem passá-lo, momentaneamente, aos que o rodeiam.

Por tudo isto, um Karma não poderá, em situação alguma, ser chamado de rancoroso: porque tem direitos.
Um Karma é, provavelmente, uma pessoa estúpida, porque deixa que lhe violem os direitos e limita-se a chorar, porque sabe que é melhor não falar. As suas coisas, os seus pensamentos são seus e assim deverão ser. Caso isto não se verifique, as pessoas tentarão justificar e convencê-lo de que não é um Karma, de que A VIDA É MARAVILHOSA E AS COISAS QUE O MAGOAM SÃO, SIMPLESMENTE, DO PASSADO E, PORTANTO, NÃO DEVERÃO SER VALORIZADAS. E, se ainda assim, o Karma não ficar convencido (é, obviamente classificado de irresponsável e fútil pela sociedade), os seus semelhantes "Não Karma" tentarão libertar-se das suas culpas, defendendo-se agressivamente, arranjando mais argumentos para humilharem a pessoa Karma.

Posto isto, a pessoa Karma não responde porque não quer ferir as susceptibilidades e só quer descansar, só quer ficar sozinha, só quer melhorar.

[Escrito a 14 de Junho de 2008]


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